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- Señor Valencia? - É Valença (, seu idiota). - Ok, señor Valencia. Entra que vamos para aeroporto. Mas temos de parar no camiño para pegar mais pessoas. - (...) E começa a rodar a cidade. Sobe ladeira, desce ladeira, pára em ladeira. Depois de uns 20 minutos de voltas, paramos para pegar um casal de velhinhos. Pareciam boa gente, mas logo se viu que eram alemães. - Óia aqui, senhorrrrr motorista: nós vamos para aeroporto de Oakland. Chegarrrrr lá às 7. Vôo sairrrr 10. - Não, señores. Levar moleque para aeroporto de San Francisco, depois levar señores para Oakland. - Mas não foi isso combinado. - [Sorriso sacana no rosto] A vida é uma druega, no? - Maldito retirante. E volta a rodar a cidade. Sobe ladeira, sobe outra ladeira, desce mais uma porrada e paramos para pegar uma velhinha chinesa. Ou japonesa. Enfim. Oriental. Abre parênteses para comentário preconceituoso: se você vir um oriental merdeiro, ele é japonês. Se for quieto, é chinês. Se for feio, é tailandês. Fecha parênteses. A mulher me sobe com uma casinha de gato. Soltando pêlos. Muitos. Nariz começa a coçar. A sinfonia fungatória começa. - Você é alérgico a gato? - Não, só um pouco. [Coço o nariz] - Ah, mas o Mr. Peeples não é um gato comum. [Começa a tirar o gato da caixa] - Ah é? [Tentando romper a resistência do vidro e sumir] - É. Ele é inteligente. E ele sabe reconhecer quando não gostam dele. - É sério? (Então tá ligado, ô filé miau, que se dependesse de mim você estaria do lado de fora do carro, não?) - Nós vamos para Seattle. Vou levá-lo para conhecer a cidade, ele está muito estressado aqui com o clima de São Francisco. - Ah é? - É. E cerca de meia hora se passou, com o tal Mr. Peeples entrando e saindo da caixa e incomodando os alemães. # da mente doentia do miurrause em 23 de Março de 2007 - Tó. - Xiiii.... E assim começa a primeira perna da minha viagem pros EUA. Eu deveria saber que a coisa tinha tudo para dar errado. Depois de descobrir que o vôo para Chicago estava atrasado 2 horas em São Paulo (na prática, foram 4) e que minha conexão para Los Angeles estaria arruinada, me puseram num vôo saindo de Chicago para San Francisco, que era o único disponível. Vai dar merda, eu já tava pressentindo. Chegando em Chicago, vou atrás do balcão da American Airlines. Começou a peregrinação. Tinha tudo para dar merda. - Olá, dona. Eu vim do Brasil, tenho uma conexão para São Francisco às 15:40h (N.M.: eram 10 da manhã). - OK, senhor Valenca. Deixe-me ver. Xiii... Sabe, seu vôo está confirmado, mas o aeroporto vai fechar. - Como assim fechar?! - [Suspiro, olhar blasé] Aqui é Chicago. Inverno. Tempestade de neve chegando. Fechar. - Então eu vou perder meu vôo? - Claro que não, senhor. Mas o aeroporto vai fechar. - Ceeeeerto. - Temos dois vôos saindo para São Francisco, um às 11:00, o outro às 13:30. Vou colocar você no vôo das 11. Mas você vai pra lista de espera. Ele está lotado. - E o outro? - O outro também. - Ceeeeerto. E minha bagagem? Ela vai no mesmo vôo que eu, né? - Talvez. [Suspiro, olhar blasé] Sua bagagem vai no primeiro vôo disponível. - Então ela vai no das 11, né? - [Suspiro, olhar blasé] Vai dar merda. Só pode dar merda. O relógio tá apontando 10:30h. Cacete, cadê o portão 3? - Camarada, onde é o portão 3? - [Suspiro, olhar blasé] - Cara, aonde é o portão 3? Meu vôo embarca em 30 minutos! - Pega o trenzinho, salta na estação seguinte. Trenzinho? Ele tá doidão? Que porra é essa de trenzinho? Fudeu, fudeu. Vai dar merda. Vou perder o vôo. Minha bagagem vai pra Tokelau. Fudeu, fudeu. Achei o trenzinho. Pega trenzinho. Cacete de asa voador. A porcaria da revista americana paranóica. Maldita fila gigantescamente grande. Malditos terroristas. Entrego o cartão de embarque pro tiozinho indiano que olha, sorri e me aponta para uma fila com 2 caras só. Obviamente deve ser porque eu estou atrasado. Povo simpático esses retirantes indo-americanos. Me aparece um poliça. - Olá, senhor. O senhor foi selecionado aleatoriamente para participar de nossa revista aleatória. Algum problema quanto a isso? - (Claro que tenho. Não consigo entender como vocês, povo histérico, se auto-entitulavam líderes do mundo livre. Mas não vou te dizer isso, senão não embarco. E ainda vou preso. Maldito retirante indo-americano de merda). Claro que não, senhor. Vai em frente. Passa revista. Corre desembestado pelos portões. 35, 34, 33. Cacete de aeroporto mega boga enorme. 32, 31, 25... Portão 3, beleza! E com 10 minutos de lambuja. Meu nome é o 4o da lista de espera. Agora é o 3o. Segundo. Opa! Já sou o próximo. "Senhores passageiros, o embarque para o vôo para São Francisco está encerrado". Me fudi. Agora vou almoçar, que se dane. "Senhor Valencia, favor se dirigir imediatamente para o portão 3". Uepa! Vou embarcar! E lá vou eu. - Valencia?? Rápido, rápido! O avião está fechando as portas. Cacete, moleque, é pra correr. Você vai perder o vôo, seu merdinha! Imaginem correr uns 100 metros com 10 quilos de bagagem nas costas, mais dois casacos na mão e um copo de café quente pela metade. Vou te dizer, não derrubei uma gota equer. Mas o casaco quase fica pelo caminho. Provavelmente fazendo compania para meu pulmão e meu bom senso. - Eu... tenho... cartão... embarcar... São Francisco. - Qual seu lugar? - Eu... lugar... café quente... - Acha o lugar vazio e senta! [Suspiro, olhar blasé] Lá vou eu. E todo mundo me olhando. "Idiota atrasando o vôo". De longe vejo na fileira antes do banheiro dois gordos sentados com uma cadeira vazia no meio. "Putamerda, tinha de ser. Imprensado num sanduíche de banha e fedendo a amônia. Só falta os gordos serem simpáticos e resolverem conversar comigo. A cereja do sundae." - Com licença, senhor [sorriso amarelo]. Esse lugar (praticamente ocupado pela banha excedente de vocês dois) está ocupado? - Não, pode sentar. [Suspiro, olhar blasé] Respira fundo. Agradece a dieta de antes da viagem. Respira fundo de novo. Concentração. Beleza, entrei. Fudeu, fudeu. Agora o cara vai sentar. Eca, banha. Banha esparramada por 6 horas. Só falta ele fungar. Não, ele não vai... merda, ele tá resfriado. Eu sabia que ia dar merda. Agora só falta a bagagem sumir. Mas até que não sumiu. Chegou direitinho. E até rapido. Amanhã eu conto a história dos indianos fedidos no albergue em LA. # da mente doentia do miurrause em 19 de Março de 2007 Ontem, durante a primeira aula de verdade do doutorado, o maluco do meu lado tava fazendo a barba com uma pinça e comendo os pêlos. Ae, na moral: parei. # da mente doentia do miurrause em 15 de Março de 2007 Acabaram os comentários. Agora aqui se pode ler, mas não se pode pitacar. Afinal, isso é exclusividade minha. Como prometido ao Márcio, amanhã novidades da viagem. # da mente doentia do miurrause em 6 de Março de 2007 |
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