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O Péricles Chamusca é o novo técnico do Botafogo. Sacaram? Chamusca, Botafogo... # da mente doentia do miurrause em 30 de Junho de 2005 Lembram quando eu falei lá embaixo que eu ia participar de uma mesa redonda com dois comunas? Poizé, a coisa rolou e até que foi bacana. E digo mais: foi divertido. Consegui mostrar pros sujeitos que têm o dobro da minha idade e pelo menos 30 anos de militância que não é uma boa idéia mexer com o miurrause. Éééééé... O negócio já era longe. Campo Grande é longe à vera. Ainda mais num sábado de manhã de sol e depois de ter dormido 4 horas. E perto do lugar lá já era Bangu. Então imagina o quanto eu tive de dirigir. A coisa estava marcada para às 10. Cheguei às 20 pras 10 e nada dos dois sujeitos aparecerem. Deu 10 e meia, 11, 11 e meia, meio dia e nada. Por mim, eu decretava o W.O. e saía vencedor daquela bodega. Mas lá pelo meio dia e pouca eles aparecem, depois do Saturnino Braga parar e comprar "caderninhos e canetinhas para estimular aos jovens que escrevam seus sonhos". Picaretismo e populagem mudaram de nome naquele dia. Mas então, começou a coisa. Videozinho bacana, no estilo de Michael Moore, bem elucidativo. Não me ofendeu, mas me pareceu bem tendencioso. E a platéia já era tendente a apoiar o Chávez, o herói do povo. Acabando o documentário, apresentaram os palestrantes, incluindo este que vos escreve, o "ilustre advogado e pesquisador". Então tá, né? Os outros eram o Saturnino (doravante referido como "o cara lá"), digníssimo senador da República, é um velho com cara de bonzinho que fala nada com picas; séculos e séculos de retórica política vazia nas costas. O jornalista ("comuna cabeça de camarão" ou "CCC") era desgostoso com a vida; 8 anos na Coréia do Norte devem tê-lo feito achar que tudo é igual. A platéia era um bando de uns 30 ou 40 cabeças (a "malta"), mais a Tatiana, os funcionários da ONG e o Mário. Cada um expôs seus comentários sobre o filme, sobre a América Latina, o muvimento, essas coisas. Sempre inflamado de uma ideologia pesada. Quando, chegou minha vez, saí pela tangente, deixei claro que minha posição era isenta e eu era pesquisador. E que não ia defender o Chávez, porque eu tinha dados sobre democracia e instituições legítimas que embasariam toda a sandice que eu falasse. E que não ia entrarna questão de chamar o Lula de sapo barbudo, porque aquilo lá ainda era um espaço sério. Mas os outros dois não levaram isso pro lado do debate e jogaram pra platéia, falando, falando e rotulando. Daí, depois de 1 hora ouvindo da malta, do cara lá e do CCC que o Lula era legal, o Bush era o capeta e a Globo o inferno e que todos nós deveríamos votar no PT, enquanto eu tentava argumentar de forma coerente, torrou meu saco. Simplesmente pedi a palavra e disse que era mais fácil "fazer debate" daquele jeito, rotulando o adversário e esvaziando os argumentos deles chamando de reacionário e bundão. Afinal, se o cara é bobo, feio e chato com cara de melão, por que eu vou perder meu tempo discutindo com eles? O sujeito gritou comigo e disse que não era um cara intolerante e que não ia discutir comigo assim. Então tá. Logo depois, o Mário jogou a bola para dentro da área, perguntando ao sujeito a opinião dele sobre o Larry Rother (N.Miurrause: o americano gente fina que chamou o Lula de cachaceiro); nessa o CCC diz que o cara é um imbecil prepotente e que deveria ter o visto de trabalho cassado, ser extraditado e ter uma placa de "me chute" nas costas. Sacoméquié, uma exposição bem razoável e consistente. Mas daí veio a pergunta: o CCC é jornalista, saiu do Brasil porque não podia expressar a opinião e me vem com uma dessas? Ah, malandro ou strike 1! E o direito de manifestação não é constitucionalmente garantido? Ah, malandro - strike 2! E o cara reclama que a ditadura era ruim e o Lula é bacana porque respeita todo mundo? Ah malandro - strike 3 está fora! E não é que ele realmente saiu? Ele levantou, resmungou impropérios na minha direção e foi embora. Ele e o cara lá. Eu fiquei sentadinho, esperando o debate ser oficialmente encerrado. Depois, fui conversar com a malta. Na minha terra, isso é representado por um funkão das antigas que tem a seguinte poesia: "uh, peida não! uh peida não!". Em outras palavras, venci. # da mente doentia do miurrause em 27 de Junho de 2005 "We are all born ignorant, but one must work hard to remain stupid." [Benjamin Franklin] # da mente doentia do miurrause em 23 de Junho de 2005 # da mente doentia do miurrause em 22 de Junho de 2005 Vi o Batman novo. Ducaralho. O psicopata americano manda bem no papel de Bruce Wayne e o Michael Caine dá uma de mordomo ninja das sombras dumal. E o Liam Neeson já mostrou que sabe atuar e como Shakespeare não dá dinheiro pra ninguém, resolveu avacalhar. Valeu cada centavo. Aliás, cá entre nós, essa onda de blockbusters bombando nas telas com os superheróis tá me deixando realmente feliz. Porque a última safra de filmes inclui 2 X-Mens, 2 Homem Aranhas, John Constantine, agora Batman, depois Quarteto Fantástico e por aí vai. E foi só filmão, um melhor que o outro. E tudo que eu ouvi a respeito de ser nerd e afins, só porque eu tinha a grande capacidade de devorar trocentas revistas em quadrinhos, já tá indo pro saco. Vira e mexe vem algum amigo me cata pra perguntar se tal história tá correta ou se fulano detona o cicrano de porrada. Virei ponto de referência da cultura pop pós moderna. Êêêêêê. # da mente doentia do miurrause em 20 de Junho de 2005 Ontem me chamaram para integrar uma mesa redonda que discutirá um documentário sobre a Venezuela e o protocomuna-mor Hugo Chávez e seus problemas com a democracia. Na mesa vão estar um jornalista - que se exilou durante a ditadura na Coréia do Norte - e um político das antigas - igualmente de esquerda. Como vocês podem ver, tutto buonna gente. Não sei o lugar ainda, mas é no sábado que vem de manhã. Eu topei, claro. Vai ser legal ser do contra e soar reacionário para pessoas que têm pelo menos o dobro da minha idade. E, além do mais, vai ter café e biscoito de grátis. # da mente doentia do miurrause em 18 de Junho de 2005 Hoje de manhã o Márcio (o cara são e normal das fotos de uns três posts abaixo) mandou esse link pra mim. É de um puta site de bit torrents e que o sujeito, protegido pela lei do longe, resolveu postar todas as citações (e as suas devidas respostas) de grandes empresas que ele recebe para tirar links de pirataria do ar. É foda. E vale cada segundo. A propósito: se alguém souber sueco, traduz as trocas de ofensa entre as empresas locais lá. # da mente doentia do miurrause em 16 de Junho de 2005 Let's ruuuuuuumble! ou a peleja já vai começar! Preparem seus times, ajustem seus radinhos porque vai começar a I Copa dos Amigos do Miurrause, toda quarta-feira, no hattrick. Oito times, um objetivo: ser aquele que vai sacanear geral, geral! O campeonato vai até o fim de agosto e neguinho já tá se coçando para se pegar na porrada! ![]() O que? Você não tá no hattrick? Se fuede ae! # da mente doentia do miurrause em O Hattrick está fora do ar. Então o site que eu visitava quando fico entediado já não tá valendo nada. O da NFL já foi devidamente lido. E o do Malvados também. Ê vida de peão miserável. E ainda tem a merda de um mosquito no quarto. # da mente doentia do miurrause em 14 de Junho de 2005 São quase 9 da manhã. Daqui a quatro horas vou dar a minha segunda aula no curso de Guerra e Paz para a graduação de Relações Internacionais da PUC-Rio. Até aí, beleza. A primeira já foi tranquila, a segunda deve ser no mesmo esquema também. Ainda mais porque eu vou trabalhar com o tema da minha dissertação, que, em teoria, eu domino relativamente bem e pesquiso há uns 6 meses, que é - simplificando - o problema da segurança no cenário pós-conflito civil. A grande questão que me passa a cabeça é: a aula vai ser sobre um tema específico e controverso da matéria. Além disso, vou ser obrigado a entrar em questões de "conhecimento público", como a democracia. E todo mundo acha - inclusive você aí - que a democracia é a melhor solução que o mundo pode dar a estes pobres diabos que ficam se degladiando. Mas não. Sinto quebrar seus sonhos, mas isso não é verdade. Sem querer entrar muito no mérito da coisa, a democracia cagaria todo o pau na hora de resolver as questões. Enfim, é isso e não vou explicar agora. Ou me pergunta depois ou toma isso como dado. Só que aí vai vir aquela molecada toda e vai começar a questionar, dizendo que eu estou errado e vão me chamar de nazista. Beleza, vou dizer que nazismo não tem nada a ver com isso. Talvez o fascismo, mas só se forçarmos muito a barra. Aí vão me chamar de fascista. E vou dizer que eles estão errados e vou continuar falando minhas sandices, porque a aula é minha e hoje vai ter teste. E, logo depois do teste, vai começar a sair um por um da sala. Vou ser obrigado a abrir a porta para cada um dizendo "vai na paz de Cristo, irmã(o)" e depois perguntar o nome. Nego vai achar que é perseguição e que eu vou ferrá-los na hora de corrigir o teste. Daí eles vão ser constrangidos a ficar em sala, me xingando mentalmente e dizendo que eu tenho problemas. Mas eu não tenho, então eles se fuderam. Que me importa? A vida não é justa e é bom que eles saibam disso desde o primeiro período. (isso me lembra uma tirinha do malvados, mas como eu não a salvei, vocês vão ter de acreditar em mim. Ou clicar aqui e ver o modelo de camisa #6, que tem a tirinha estampada nela). # da mente doentia do miurrause em 13 de Junho de 2005 Este é o Márcio. Ele é uma das fontes de todo o lixo que vira e mexe surge por aqui. Pela sua fisionomia, obviamente podemos sacar que alguma coisa está errada. ![]() Mas, apesar de todos saberem que tem algo que vai acabar explodindo uma hora ou outra, ninguém se manifestava. "Temos de ser educados" , uns diziam. "Nah, olha a cara dele. Isso, digo, ele é incapaz de fazer mal a qualquer coisa", falavam. "Ah, ele é maluco, mas é nosso amigo", argumentavam outros. Acabou que deu nisso... ![]() ![]() ![]() Jesus... # da mente doentia do miurrause em 10 de Junho de 2005 "O que o brasileiro quer? O brasileiro quer estar junto. Nenhum outro povo assimilou tão bem a idéia do ?novo associativismo? como o nosso. Nós nos juntamos para fazer qualquer coisa: para invadir propriedades de terceiros, para ver acidentes de trânsito que espalham corpos mutilados pelo asfalto, para gritar ?pula! pula! pula!?, para eleger o Lula e para outras tantas saudáveis atividades. Mais recentemente, descobrimos uma nova e excelente maneira de nos juntarmos. Somos, simplesmente, 66,4% dos associados do Orkut. Ou dois terços. Atrás de nós, estão alguns povos igualmente associativos, como os da Índia, do Paquistão e do Irã. O caso é que nós, ao contrário deles, não nos contentamos em ?estar? no Orkut. Nosso associativismo é assombroso. 95% das comunidades foram criadas por nós. Nós não queremos apenas ?juntar?, nós queremos ?pertencer?. Pertencer a um grupo maior, de preferência a um grupo majoritário. Nosso sonho é participar de um gigante grupo cósmico, que a todos envolve. Um grupo de cujo campo gravitacional nada e nem ninguém escapa. Para isso, criamos as comunidades óbvias. Aquelas que fazem o internauta pensar assim: ? Eu também odeio ficar preso no elevador. Eu tenho que participar dessa comunidade!? Há milhares delas, dentre as quais eu posso citar, de memória: ?Odeio sentir saudades?. ?Odeio barulho de obra?. ?Odeio ônibus lotado?. ?Eu amo beijar na boca?. E já que eu também sou associativo, além de extremamente brasileiro, pensei em algumas comunidades óbvias que poderiam auxiliar na consecução de nossos mais honrosos propósitos de pertencimento. Eis. ?Odeio lamber chão de banheiro?. ?Adoro coisa boa?. ?Não quero matar a minha filha?. Outras comunidades pelas quais nos interessamos são aquelas de rotina. Aquelas cujo título relaciona-se com nossos afazeres corriqueiros, cotidianos. Elas são criadas da seguinte maneira: imagine que eu fique empolgado e queira criar comunidades de rotina no Orkut. Aí eu compro um caderninho e escolho um dia, sei lá, segunda-feira, para inventar comunidades. Na segunda em questão, eu acordo às nove. E anoto. ?Eu acordo às 9?. Minha mãe me oferece um meio mamão no café da manhã. E eu anoto mais duas: ?Odeio mamão no café da manhã?; ?Minha mãe sempre me oferece mamão no café da manhã?. Saio de casa atrasado para o trabalho. ?Sempre tenho que correr pra chegar no trabalho sem atrasar?; ?Odeio ter que bater ponto?. Chegando lá, meu chefe me dá um esporro. ?Meu chefe odeia que eu chegue atrasado?; ?Meu chefe tem TPM?. E assim vai. Calma que eu ainda não acabei. Investigativo que sou, além de essencialmente associativo e muito brasileiro mesmo, consegui identificar ainda outro tipo de comunidade. As comunidades vaidosas. ?Eu tenho olhos azuis?; ?Sou mulher de peito?; ?Adoro meu sobrenome?. E aqui também tenho sugestões a serem consideradas, tais como ?Não tenho a perna torta?; ?Meu mamilo é rosado?. Para não me estender muito, e dado que este é apenas um estudo preliminar, finalizarei mencionando as comunidades psicológicas. São as melhores. Denunciam os problemas mais sérios de uma pessoa. Outro dia, achei uma formosa rapariga catarinense no Orkut. E então entrei em suas comunidades para ter uma idéia de suas obviedades, de sua rotina e de suas vaidades. Lá pelas tantas, percebi que duas das comunidades dela não eram congruentes. Uma estava no começo da lista, a outra no final. E liam assim: ?Durmo com o celular do lado? e ?Odeio acordar com telefone!?. Que tipo de pessoa odeia acordar com telefone e dorme com um celular debaixo do travesseiro? Conclusão: nunca fiz contato com a catarinense. Ou seja, o Orkut, por mais que o maldigam, tem lá a sua utilidade. Aliás, o Orkut é excelente nisso de escancarar contradições. A comunidade ?Odeio gente lerda?, por exemplo, conta hoje com mais de 82 mil adeptos. E 82 mil adeptos, de qualquer coisa que seja, não podem ser exatamente espertos. (...)" # da mente doentia do miurrause em 6 de Junho de 2005 |
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